Só um em cada quatro jovens se prepara para a aposentadoria

Por Equipe do AJ

Apesar de mais da metade dos entrevistados da geração Z disserem que tem dinheiro guardado, os motivos são para emergências, viagens e compra de bens e não para a independência financeira

Uma pesquisa da SPC Brasil feita com 801 jovens, homens e mulheres de todo o Brasil, com idades entre 18 e 24 anos, nascidos dentro da chamada Geração Z, mostrou que mais da metade deles (52%) disse ter dinheiro guardado. Boa parte (80%) guardou os próprios recursos, enquanto 20% conseguiram esse dinheiro pais.

Entre as principais motivações para poupar estão ter reserva para imprevistos (33%), viagens (21%) e compra da casa própria (19%).  A independência financeira futura, ou aposentadoria nem aparece entre as prioridades.

Mas, quando perguntados diretamente se se preparam para a aposentadoria, 75% afirmaram que não. Aqueles que não se preparam argumentam não ter renda (27%), o fato de ser cedo, pois ainda são muito jovens (27%), não sobrar dinheiro (24%) e não saber como fazer (21%).

Por outro lado, entre os que se preparam, muitos (35%) disseram ser precavidos, 22% se espelham em exemplos – negativos – de pessoas que não se prepararam e tiveram problemas financeiros e 18% se espelham em exemplos positivos, de pessoas que se preparam e tiveram uma aposentadoria tranquila.

Dificuldade de guardar

Em relação aos hábitos de consumo, 56% admitem que costumam ceder aos impulsos quando querem muito comprar algo, enquanto 47% às vezes perdem a noção de quanto podem gastar com atividades de lazer e 34% gostam de ter um produto que a maioria dos seus amigos têm. Três em cada dez admitem que a forma como gastam o dinheiro é motivo para brigas frequentes com pais, familiares ou cônjuge (32%).

“É importante observar que os jovens precisam ter objetivos financeiros claros e aprender a controlar o imediatismo e os impulsos de consumo, evitando gastos excessivos desde cedo para que não se tornem hábitos e comprometam a saúde financeira e o atingimento de metas no futuro”, comenta o presidente da CNDL, José Cesar da Costa, na pesquisa.

Conservadorismo

A massiva maioria de quem poupa, porém, é conservadora na hora de aplicar os recursos, de fazê-los render enquanto não usa o dinheiro para realizar seus objetivos financeiros.

Mesmo com acesso a um grande volume de informação pelas redes, estes jovens investem em opções pouco ou nada rentáveis, com claro predomínio do uso das modalidades mais tradicionais: 53% mantém os valores na poupança, 25% guardam em casa e 20% na conta corrente.

Entre os motivos de quem não guarda nenhuma quantia, 51% afirmam que nunca sobra dinheiro, 22% não têm disciplina para juntar dinheiro e 19% sentem-se desestimulados e sem esperança de juntar um bom valor a longo prazo por sobrar pouco dinheiro.

Aposentadoria – Dentre os que realizam algum preparo para se aposentar, a estratégia mais comum é a aplicação em poupança (26%), o INSS pago pela empresa (21%) – que não reflete um investimento deles mesmos –, a Previdência Privada (21%), a abertura do próprio negócio (21%) e o INSS pago de forma autônoma (19%).

Consequências

Apesar das justificativas para o despreparo, muitos sabem que essa negligência pode provocar efeitos negativos no futuro: 26% acreditam que quem não se prepara não poderá viver com tranquilidade na terceira idade, 25% consideram que o padrão de vida pode cair depois de aposentado, 16% julgam que não poderão parar de trabalhar e 13% que precisarão contar com ajuda financeira de familiares e amigos para se manter.