Começando a Investir

Como começar a investir mesmo com pouco dinheiro?

Com opções de investimentos hoje a partir de R$ 1, você só deixa seu dinheiro guardado na poupança se quiser. Não há mais desculpas para não investir melhor

O que é investir? Nada mais é do que aplicar o dinheiro em algum produto de investimento para receber um rendimento. Há dois objetivos principais para investir seu dinheiro: se proteger contra a inflação (aumento de preços, que faz com que perdemos poder de compra) ou buscar a rentabilização da carteira (para ganhar mais dinheiro mesmo).

Antes de entender como dar os primeiros passos, vamos desmistificar algumas crenças limitantes sobre investimentos:

  1. Não tenho dinheiro suficiente!
  2. Tenho medo de perder tudo!
  3. É muito difícil e precisaria estudar muito antes!
  4. Não consigo escolher entre as milhares de opções!

Todos esses pensamentos nos impedem de dar o primeiro passo nos investimentos. Mas todos não são verdadeiros. Veja por que:

Crenças que nos limitam

  1. Não tenho dinheiro suficiente!

Hoje, há opções de fundos de investimentos a partir de R$ 1, assim como contas digitais que remuneram o dinheiro parado com 100% do CDI e sem limite mínimo. No Tesouro Direto, tem título público a partir de R$ 40 e no mercado de ações, com R$ 100 já dá para investir.

  • Tenho medo de perder tudo!

De fato, nenhum investimento é 100% livre de risco, mas perder tudinho é muito difícil também. As operações de renda fixa, por exemplo, podem até ter oscilações, mas dificilmente você perderá tudo que aplicou. Algumas, como as de emissão bancária – Certificado de Depósito Bancário (CDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Letra Financeira, Letra de Câmbio, poupança e conta corrente – são protegidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ou seja, se o banco quebrar, seu dinheiro é devolvido a você, no limite de R$ 250 mil por instituição financeira por CPF no limite somado de R$ 1 milhão.

Mesmo em renda variável, as operações mais arriscadas e das quais você precisa ficar longe se tem tanto medo de perder tudo são derivativos, minicontratos e opções.

  • É muito difícil e precisaria estudar muito antes!

Coloque uma coisa na cabeça: você não precisa saber tudo. Você precisa saber o que é importante para seus objetivos financeiros. Se você não tem dinheiro para especular e não pode se dar ao luxo (ainda) de perder muito dinheiro se a aposta não der certo, não deve aplicar em opções, derivativos ou minicontratos. Então, você não precisa agora saber nada sobre isso.

Se o seu objetivo é, agora, simplesmente guardar dinheiro para a reserva de emergência, você só precisa ir atrás de informações sobre produtos de renda fixa, conservadores e com alta liquidez (que podem ser resgatados a qualquer momento). Se você já tem reserva e agora está guardando dinheiro para fazer um intercâmbio daqui há alguns anos, tem que entender de investimentos de médio a longo prazo. Dá para filtrar o que realmente você precisa aprender agora pelos objetivos financeiros.

  • Não consigo escolher entre as milhares de opções!

É normal nos sentirmos perdidos(as) nas prateleiras que parecem infinitas das plataformas e corretoras de investimentos. Não se aflige. Aqui a orientação principal é saber para que você está guardando dinheiro e quer investir (o objetivo financeiro). Depois, você pode pedir ajuda a algum assessor ou consultor de investimentos para te ajudar a escolher. Além disso, se você quiser já aplicar diretamente em uma carteira de investimento já montada e pré-pronta para aquele objetivo, há plataformas de investimentos que fazem isso, como Warren, Pi, Vérios e Magnetis.

Acho que agora ficou claro que esses pensamentos não são verdadeiros e que você já está pronto(a) para investir. Certo? Agora vamos a um resumo rápido de quais produtos financeiros você pode achar por aí e depois falaremos sobre como escolher os mais indicados para seus planos.

Produtos de investimentos

Renda fixa

O nome pode dar uma enganada porque os produtos de renda fixa não necessariamente uma remuneração fixa. Eles têm uma previsibilidade de remuneração. Você não sabe exatamente quanto vai ganhar na maioria deles, mas consegue ter uma boa ideia.

Em geral, os investimentos de renda fixa são empréstimos que você faz a alguém e que lhe promete em troca um juro mensal ou anual (prêmio). Quando aplica dinheiro em CDBs, LCIs e LCAs, por exemplo, está emprestando para o banco. Quando coloca dinheiro em debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) está emprestando dinheiro para empresas. O dinheiro dos títulos públicos (Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado) vão para financiar o Tesouro, o governo em última instância.

Todos esses títulos pagam remuneração de dois tipos: os prefixados já têm uma remuneração fixa (Exemplo: 5% ao ano); e os pós-fixados, tem uma parte fixa e uma variável, indexada a algum índice de referência, como o CDI ou o índice de inflação IPCA (Exemplo: 2,5% + IPCA).

Uma modalidade nova é o crowdfunding, que promete remuneração de renda fixa, mas é mais arriscada porque o risco de calote é maior do que emissões de bancos e grandes empresas.

O principal risco envolvido aqui é especialmente de crédito, ou seja, de calote. 

Renda variável

Como o nome já diz, os investimentos de renda variável são … variáveis. Não dá para saber quanto vai ganhar no momento que investe porque sua remuneração depende de diversos fatores. Os ativos negociados em bolsa de valores, por exemplo, como ações, ETFs, fundos imobiliários, derivativos, entre outros, variam conforme a oferta e a demanda, a conjuntura da economia (PIB, desemprego, inflação), câmbio, as notícias de Brasília, entre outras tantas outras variáveis. Por isso, ao investir em renda variável, é preciso saber que dificilmente você vai ganhar dinheiro rápido e fácil e corre sim o risco de ver desvalorização no investimento no curto prazo.

Poucos sabem, mas não são apenas os produtos negociados na bolsa de valores que são variáveis. Imóveis, terrenos, sítios e chácaras, gado, animais de estimação criados para venda, investimento em startups e criptomoedas também são investimentos de renda variável.

Como escolher no que investir

A primeira lição é definir qual a finalidade do dinheiro, ou seja, se você está economizando para uma viagem, para um intercâmbio, para comprar um novo celular ou um tênis, ou ainda para, daqui a algum tempo, atingir sua liberdade financeira (aposentadoria). Por que sugerimos isso primeiro?

Por algumas razões. Uma delas é para saber quanto tempo você pode ficar sem mexer no dinheiro (cada produto tem uma liquidez diferente). Outra é para saber se você pode tomar risco alto, baixo ou médio (há diferentes níveis de riscos mesmo dentro de uma classe de ativo). Também é importante ter uma meta clara para te ajudar a continuar economizando (é muito mais fácil resistir às tentações de consumo quanto a gente sabe porque está poupando).

Vamos a alguns exemplos:

Reserva de Emergência

Essa deveria ser a sua prioridade, caso você ainda não tenha um dinheirinho guardado para caso precise. Apesar de muito chamado de reserva de emergência, esse dinheiro também pode servir para aproveitar oportunidades, como comprar algo que você queria muito e já estava até economizando e investindo para isso, mas o item apareceu de última hora em promoção. Outras pessoas podem usar esse dinheiro para começar um pequeno negócio se ficarem desempregadas.

Como este é um dinheiro que precisa estar à mão quando você precisar, ele não pode estar investido em nada que seja difícil de você sacar. Tem que estar, portanto, em um ou mais produtos de alta liquidez. Outra característica importante é o conservadorismo. Se esse dinheiro é seu colchão de proteção, você não pode correr o risco de perder muito dinheiro se arriscando por aí; por isso, o investimento precisa ser conservador, de baixo risco e baixa volatilidade (oscilação).

Exemplos de produtos neste perfil: contas de bancos digitais que remuneram 100% CDI; títulos públicos do tipo Tesouro Selic (LFT) ou Prefixado (LTN) CDBs de liquidez diária; fundos de investimentos que só investem em Tesouro Selic.

Independência financeira (Aposentadoria)

Muito se fala de aposentadoria, mas o que é a aposentadoria se não aquele momento que a gente não precisa mais trabalhar para conseguir pagar as contas, mas sim que já temos dinheiro suficientemente para viver o restante dos dias. O famoso: o momento em que o dinheiro trabalha para você.

Para conquistar a verdadeira liberdade financeira é preciso juntar bastante dinheiro, sim, mas aqui vai uma dica valiosa: o jovem tem o bem mais precioso quando se fala de investimentos, TEMPO. Juntar um pouquinho por mês para o futuro pode ser um diferencial importante lá na frente. Sabemos que vai ficar cada vez mais difícil depender da poupança pública, então temos que correr atrás de fazer o pé de meia.

Os investimentos para aposentadoria são, portanto, de longuíssimo prazo, ficam lá rendendo por anos até que você precise deles. Também é possível arriscar mais, já que o dinheiro terá tempo para recuperar uma possível desvalorização. O ideal é que seja diversificado, para que equilibrar os riscos.

Nestes casos, são indicados: fundos de previdência; fundos de investimentos em ações e multimercados; títulos públicos do tipo Tesouro IPCA+ (NTN-B); LCIs e LCAs; fundos de debêntures incentivadas; ações. O ideal, claro, é que você invista com recorrência (todo mês se possível, ainda que pouco) e não resgate tão cedo.

Consumo de médio prazo (mochilão, intercâmbio, MBA, morar sozinho)

Depois de um dinheiro reservado para as emergências e de outro para a nossa liberdade financeira futura, podemos pensar nos gastos que queremos fazer de médio prazo, em 2 a 3 anos. Exemplo: mochilão pela Ásia; intercâmbio; MBA; conseguir morar sozinho(a).

Para esse prazo, dá para colocar o dinheiro economizado em aplicações de liquidez média, já que você não vai precisar dele na mão a qualquer momento. Também pode arriscar um pouco para tentar rentabilizar mais rápido, mas não arriscar demais, já que você também pode ser surpreendido no meio do caminho com uma crise e acabe ter que postergar os planos.

São indicados, por exemplo: um pouco em títulos Prefixados (que você tem certeza que vão remunerar à exata taxa contratada); mesclados com fundos de investimentos multimercados; CDBs, LCIs e LCAs, de um a dois anos de vencimento; pode até colocar um pouco em ETF do Ibovespa ou IBrX 100; fundos cambiais ou com investimentos no exterior (importante para quem quer ir para fora do país); e títulos atrelados à inflação para você manter o poder de compra.

Vale lembrar, por fim, que para investir você precisa se autoconhecer e entender qual a sua real tolerância a risco. Não adianta investir em bolsa se não consegue dormir à noite pensando que perdeu dinheiro naquele dia. O sono, acredite, é um bom termômetro da nossa tolerância ao risco.

Esperamos que este material tenha te ajudado a dar um passo rumo aos investimentos.