Selic: entenda como o aumento desta taxa impacta na sua vida!

Por Equipe do AJ

Neste artigo vamos explicar o que é a taxa de juros SELIC e qual sua importância para a economia e nossos investimentos.

Por José Ricardo Biazola Junior

Popularmente, a SELIC é taxa básica de juros do país. Ou seja, é a taxa que serve como ponto de partida para todas as outras taxas de juros cobradas no Brasil. Seja para remuneração dos investimentos ou para os juros cobrados nos empréstimos pelos bancos.

A Selic é definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária), a cada 45 dias por um grupo de pessoas composto pela direção do Banco Central. As decisões desse comitê são baseadas na análise do cenário econômico brasileiro e mundial.

Essa taxa é o principal instrumento que o Banco Central utiliza para controlar a inflação no país.

Atualmente a taxa SELIC está em 3,5% a.a., mas já foi bem maior no passado.

O que é a inflação?

Quando a demanda por produtos e serviços é maior que do que a oferta destes itens pelas empresas, isso faz com que as companhias subam os preços destes itens (para que menos pessoas passem a consumir estes produtos e serviços), até que um ponto de equilíbrio seja alcançado, ou seja, até que a demanda seja igual à oferta dos produtos e serviços.

E vice-versa: quando a demanda está abaixo da capacidade do país, então os preços tendem a cair e, nesse caso, a inflação começa a desacelerar.

Em nosso dia a dia encontramos mais frequentemente a inflação denominada como IPCA (Índice Nacional de preços ao consumidor amplo), que é a medida de quanto os preços de produtos básicos, consumidos pelas famílias do Brasil, sofreram de alteração.

Como funciona o controle da inflação através da SELIC? 

Fonte: Banco Central

Mais detalhadamente, como tudo isso influencia na nossa vida?

Fonte: Banco Central

O que muda em nosso dia a dia quando o COPOM aumenta a taxa SELIC?

Quando a taxa sobe, os juros cobrados em financiamentos e empréstimos sobem também.

 Com empréstimos e financiamentos mais caros, fica mais difícil comprarmos um carro ou uma casa nova e também mais caro se endividar no cartão de crédito, por exemplo. Isso faz com que as pessoas consumam menos, e se há menos pessoas consumindo, os preços ficam sobre controle, gerando estabilidade ou queda na inflação.

Esse desestímulo do consumo tem que ser muito bem calculado pelo Copom, pois uma queda brusca na atividade econômica, faz com que as empresas necessitem produzir menos, o que pode gerar desemprego, e quanto mais pessoas desempregadas, menor o consumo, e esse ciclo joga o país numa espiral negativa de crescimento e prosperidade.

E o que muda quando o COPOM reduz a taxa SELIC?

Do lado contrário, quando o consumo está em baixa, com pessoas demandando menos produtos e serviços do que as empresas podem oferecer e a inflação está baixa, o Banco Central reduz a taxa SELIC. 

Isso barateia os juros para financiamentos e empréstimos – o custo de captação dos bancos fica mais barato – e há um estímulo no consumo tanto para pessoas físicas quanto para empresas que aproveitam os juros mais baratos para realizar investimentos e crescer, gerando mais emprego e renda para a população.

Tudo isso em conjunto joga o país em uma espiral positiva de crescimento e prosperidade.

É importante destacar aqui que a SELIC não é a única solução para controle da inflação ou para estimular o crescimento do país. Há muitos outros fatores que influenciam estes movimentos.

Além disso, a taxa SELIC influencia também em nossos investimentos:

Poupança

Atualmente a remuneração da poupança está diretamente ligada a taxa SELIC. Em 2014 foi decidido que o retorno da caderneta de poupança seria de 70% da Selic.

A regra funciona da seguinte maneira:

– Se a taxa Selic for maior ou igual a 8,5% ao ano, a poupança terá rendimento de 0,5% ao mês;

– Quando a taxa Selic estiver abaixo de 8,5% a.a., a poupança terá um rendimento equivalente a 70% da Selic vigente;

Com a taxa de juros a 2,75% ao ano, a poupança trará um retorno de aproximadamente 0,16% ao mês.

Tesouro Direto / Títulos públicos

Alguns títulos do tesouro direto têm sua remuneração diretamente ligada à taxa SELIC.

Esses títulos, como o tesouro Selic, por exemplo,  rende exatamente a mesma taxa definida para a SELIC. Então é muito fácil saber que com a queda da taxa Selic a remuneração do título diminui e vice-versa.

CDI

O CDI nada mais é do que a taxa média de empréstimos interbancários que ocorrem ao final de cada dia útil. Devido a uma regra do banco central, nenhum banco pode fechar o dia com caixa devedor e por isso, ao final do dia os bancos realizam empréstimos uns com os outros, com prazo de 1 dia de vencimento, para organizar seu caixa. A taxa de juros desses empréstimos interbancários é sempre muito próxima à taxa SELIC e consequentemente o CDI é sempre muito próximo ao valor da SELIC.

O CDI, assim como a própria SELIC é um indicador de rendimento para os investimentos de renda fixa, como, por exemplo, fundos de investimento em títulos de renda fixa, títulos de crédito privado, LCA, LCI e outros.

Bolsa de Valores / Ações

A bolsa de valores, mais especificamente o valor das ações, tem uma correlação indireta com o valor da taxa SELIC. Ou seja, quando a SELIC aumenta, o valor das ações tende a diminuir e quando a SELIC cai, o valor das ações tende a aumentar. 

Isso acontece porque, como explicamos anteriormente, com o aumento da SELIC, o consumo cai e consequentemente a produção, vendas e o lucro das organizações que possuem ações também caem. Refletindo diretamente no preço das ações.

Da mesma maneira, com a redução da SELIC, o consumo aumenta, os empréstimos às empresas ficam mais baratos, as vendas e o lucro aumentam, refletindo em um aumento no preço das ações.

É importante ressaltar aqui que isso não é regra para todas as ações e que esse movimento não acontece de maneira tão simplista assim, pois são diversos fatores que podem influenciar no desempenho de uma ação na bolsa de valores e a SELIC é apenas um deles.

Dólar

Quando a taxa Selic está muito alta, o valor do dólar tende a diminuir frente ao real e quando a SELIC cai o valor do dólar tende a aumentar frente ao real.

Isso acontece porque quando a SELIC está alta, os investidores estrangeiros são atraídos pelo bom rendimento dos títulos públicos do Brasil e, para comprar estes títulos eles precisam vender a moeda deles (Dólar) e comprar nossa moeda (Real). Quando muitos investidores querem vender dólar para comprar reais para poder investir no Brasil, o valor do Dólar cai, pois, há mais gente querendo vender Dólar do que comprar nesse caso.

Resumindo…

Uma SELIC baixa significa que nossa economia esta sólida e funcionando como deveria. Ou seja, o consumo da população está alinhado às capacidades produtivas do país e devido a isso economia está crescendo e há emprego sendo gerado pelas empresas para acompanhar a demanda da população por bens e serviços. Porém, quando por algum evento internacional ou doméstico esse ciclo benéfico de consumo e geração de emprego é afetado, o Banco Central precisa colocar a economia nos eixos novamente e aí é necessária uma alteração na taxa SELIC, seja apara acelerar ou desacelerar o consumo e a inflação.