Qual impacto da alta da Selic para seus investimentos?

Por Equipe do AJ
A alta de juros nesta semana tem consequências para a economia e para o investidor. Entenda melhor o reflexo da decisão do Banco Central de subir para 2,75% a taxa básica de juro

Por Caio Camargo

Na quarta-feira, 17 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros de 2,00% ao ano para 2,75%, surpreendendo o mercado que esperava uma alta de 0,50%, na média dos economistas.

É a primeira alta desde julho de 2015, quando a Selic atingiu seu pico de 14,25%. Com isso, o Brasil sai de um ciclo de 5 anos de queda e do patamar dos 2,00%, que foi o mais baixo atingido desde a criação do plano real e do sistema de metas para inflação.

Fonte: Banco Central

O que motivou o Banco Central do Brasil (BC) a elevar a taxa Selic de uma forma mais forte, e que o mercado não esperava, foi a sua preocupação com a pressão inflacionária. Mesmo em um momento complicado de pandemia, o BC tem mostrado preocupação com a inflação e isso fica evidente abaixo  nesse trecho do comunicado feito pelo Copom:

“No cenário básico, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio partindo de R$5,70/US$*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 5,0% para 2021 e 3,5% para 2022. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 4,50% a.a. neste ano e para 5,50% a.a. em 2022. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 9,5% para 2021 e 4,4% para 2022.”

Isso quer dizer que mesmo com os estímulos para a economia, o país deve demorar mais para se recuperar do aperto monetário. O Banco Central tentará conter a inflação, mas ela deve estourar o teto da meta para este ano e ficar mais próxima ao centro em 2022.

E como ficam os investimentos?

Sendo a Selic a taxa que guia a economia, os investimentos não ficariam sem uma influência desta alta recente. Entretanto, o impacto não deve ser muito grande, pois não atingimos patamares altos. E nem temos uma previsão de atingir uma Selic de dois dígitos. Ou seja, não existe sinal na alta da taxa que corrobora para uma mudança ampla nas carteiras mais conservadoras, mas a diversificação continua importante.

Começando pela Renda Fixa, em um primeiro momento as taxas ficam mais atrativas que antes.  Porém, como estamos no início de um ciclo de alta, os investimentos prefixados ou mesmo investimentos atrelados à inflação tenderão a ter taxas melhores no futuro. Isso quer dizer que talvez não seja o melhor momento para aumentar sua parcela na classe. A não ser que seja em opções que possam trabalhar mais ativamente é melhor mantermos posições que ganhem com este aumento na taxa de juros, como fundos de renda fixa ativo, ou opções pós-fixadas com boas taxas.

Já para Renda Variável, ciclos de alta não são positivos, pois há uma migração normal para ativos de Renda fixa com taxas mais atrativas com menor risco. Entretanto, como mencionado acima, com o aumento, o novo patamar ainda é muito baixo e não justifica essa troca entre classes. Inclusive alguns setores do índice da bolsa de São Paulo, devem se beneficiar deste ciclo de aumento da taxa básica de juros.

Olhando os investimentos internacionais, que estão em alta no momento e devem continuar fazendo parte dos portfólios (sempre respeitando os perfis de risco dos investidores, claro!), eles ainda tendem a ser uma proteção interessante para as carteiras, pensando na proteção que a exposição ao câmbio dá, ou seja, sem o hedge cambial.

Nos EUA, a taxa de juros por lá se “manteu” (calma, não é um erro de português, mas uma brincadeira feito pelo mercado financeiro) em patamares baixos e dado todo pacote de estímulos aprovados essa semana, esses produtos continuam atrativos.

O recado mais importante é prestar atenção, não somente nessa alta, mas sim com o tom do recado passado pelo Banco Central. O BC já deixou sinalizado que, de olho na inflação para esse ano, deve vir mais uma alta de 0,75 ponto percentual na próxima reunião e espera-se que a taxa Selic termine o ano entre 4,5% a 5,0%.

Como o mercado financeiro sempre pensa no longo prazo e tenta se antecipar aos movimentos, é importante acompanhar os próximos passos do Copom, porque essas novas mudanças, sim, podem impactar os investimentos.

Por fim, a notícia de aumento dos juros básicos talvez não seja a melhor para o crescimento do país, já que uma política monetária mais restritiva afeta as empresas diretamente. Na prática, ela altera a forma como elas se endividam e alocam seus recursos, então, possivelmente, teremos algum impacto neste sentido também.